Camboja: 30 dias no inferno

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Muito antes de definirmos essa viagem a Amanda tinha me dito que tinha medo de sentir-se mal ao ver a pobreza de países como esse.

Eu disse que não me preocupava com isso, que esse tipo de coisa não me afetaria.

Agora, vendo todas essas crianças na rua transformadas em pequenos criminosos, tentando arrancar qualquer coisa dos turistas enquanto seus pais jogam conversa fora no meio-fio, fica difícil.

Por mais que eu acorde com a melhor das intenções, tentando ver o lado bom das coisas, esse lugar se supera em me deixar com nojo mais uma vez.

Seja pela falta de respeito que os locais tem com mulheres, pelo transito em que impera a lei do mais forte, pela arrogância da classe abastada que teima estacionar seus carros na calcada, pelas toneladas de lixo jogadas no chão, nos rios e praias, pelos inúmeros estrangeiros pervertidos procurando crianças – e os inúmeros locais explorando esse mercado, pela corrupção que virou lei e faz o Brasil parecer a Suécia, pelos bandidos que roubam a torto e a direito com a conivência da policia, pelos policiais que passam o dia escorados pelos cantos, pela foto do primeiro ministro e do partido estampados por todo pais ou pelo racismo disfarçado de orgulho étnico, eu vejo meus dias terminarem piores que começaram.

Mais alguns templos e outros pontos turísticos “imperdíveis” e deixamos esse inferno-na-terra. Quem sabe rumo a outro pior.

3 comentários sobre “Camboja: 30 dias no inferno

  1. Daniel

    O país passou pela ditadura mais sangrenta dos últimos 50 anos. 1/4 da população morreu durante entre 1974 e 79. O que vc queria encontrar ai? O mickey, jardins floridos e montanhas russa??.. isso é em outro país cara.

    Apesar dos problemas no país, meus 10 dias aí foram ótimos. Uma cultura diferente da nossa, um país com muitos problemas sim mas com uma população muito receptiva e com pontos turísticos incríveis. Vale a pena conhecer… não tem nada de inferno na terra não.

    1. Amanda Ferreira

      Isso foi um desabafo, ok?
      Mas sério, eu sei tudo o que aconteceu com o Camboja e sei quão pobre o país é, mas não é por causa disso que os problemas simplesmente deixam de existir pra mim. Conheci pessoas muito legais e lugares incríveis, mas eu não vou ignorar a verdade ou simplesmente dizer que faz parte da cultura como muitos gostam de fazer.
      Talvez se todos parassem pra pensar em como as coisas são erradas e como nós financiamos isso, nós poderíamos ajudar a melhorar o país, por exemplo, você acha certo todas aquelas crianças sozinhas pedindo esmola na rua? Você não acha errado dar dinheiro a elas, sendo que assim estará incentivando essas atitudes? E os oficiais corruptos da fronteira, vai dizer que isso é normal?

    2. Ricardo Pedri

      Sério Daniel, você passou DEZ dias no Camboja e vem me falar sobre a Disney?

      Me desculpe, mas alguém que passou tão pouco tempo em um país como o Camboja certamente não foi além dos pontos turísticos (talvez a Disney pra você…)

      Vá um pouco além dos pontos turísticos e áreas de backpackers e você vai ver o real cotidiano das pessoas.

      Talvez você descubra que a vasta maioria da população vive sim em um inferno, ainda que pra você o país se limite ao Angkor Wat e outras atrações.

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